Pe. Fernando Steffens
A poesia deixa a vida mais leve...
Capa Meu Diário Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Prêmios Livro de Visitas Contato Links
Textos

O elogio do demônio

 

Os filhos das trevas são mais espertos

que os filhos da luz (Lc 16, 8)

 

Ai de vós, fariseus hipócritas (Mt 23,13)

 

     

     Uma ardilosa cilada do demônio é massagear o ego humano por meio de elogios, aplausos, reconhecimentos e outras sedutoras iscas. O pai da mentira sabe que alguém bastante bajulado, ainda mais nas coisas que se referem a Deus, facilmente se convencerá de sua “humilde e invejável santidade” e cairá em suas teias. Ser bem-visto por todos ou colocado um grau acima na comparação com outros induz, quase que fatalmente, a um desvio espiritual. Qual desvio? O de fazer para agradar. Acostuma-se tanto com o elogio que se torna insuportável ou inadmissível não o receber. O “nossa, que pessoa santa!”, quando contaminado pelo veneno do orgulho, blinda a pessoa do discernimento do seu agir, da consciência de necessária conversão pessoal, da importância da oração como alimento para a própria fé, da reta conduta a partir da verdade evangélica, da diferença entre gostos e deveres. Suas ações se guiam pelo se eu fizer assim irão gostar.

 

     Disfarçam-se dentro de si pensamentos como: ‘eu sei o que é certo’, ‘eu sei o que é preciso fazer’, ‘se fosse comigo, seria diferente’, ‘fulano não tem moral para isso, eu tenho’, ‘quando eu coordenava, funcionava’, ‘eu sou melhor’, ‘gostam mais quando eu falo, quando eu faço’, ‘se não for eu, não tem ninguém’ etc. Esse comportamento interior, consciente ou não, torna-se empecilho para a graça de Deus, que faria muito mais não fosse as trevas disfarçadas de luz em seu coração. Multiplicam-se cenas nos Evangelhos nas quais Jesus desmascara esse farisaísmo doentio, ainda que tantos, lá e hoje, continuem feito cegos guiando cegos.

 

     Esse indivíduo, iludido de si, sempre terá justificativas para as suas atitudes, sejam elas quais forem, afinal, é um perfeitinho aos olhos dos outros e do próprio ego. Até Deus concorda comigo! Como ele só aceita correções dispensáveis, ou seja, isso é para os outros, não para mim, continua convicto de que seu caminho de santidade está pleno. É uma espécie de Paulo antes de Damasco: estava convicto que agradava a Deus ao perseguir os cristãos. E nada mais perigoso do que uma convicção errada. Pois é isto que o demônio quer: nos convencer de modo equivocado. Se não cuidarmos, caímos!

Padre Fernando Steffens
Enviado por Padre Fernando Steffens em 31/07/2025
Alterado em 27/08/2025
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários
Capa Meu Diário Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Prêmios Livro de Visitas Contato Links