Solenidade de Todos os Santos
As bem-aventuranças estão associadas a escolhas e consequências derivadas da fé. Escolher a pobreza, a mansidão, o caminho verdadeiro da justiça e da paz, da pureza e da misericórdia trará, por consequência, a santidade, não sem perseguições, injúrias, mentiras, enfim, toda sorte de eventos causados pelo mal – que nunca descansa.
A bem-aventurança da pobreza nos leva a pensar no que temos, no que precisamos, no que, de fato, pertence ao Reino de Deus e no que pertence aos reinos deste mundo.
A bem-aventurança da aflição nos leva a refletir no quanto sofremos em Deus as turbulências da vida, mantendo-nos firmes, sem desanimar ou desistir.
A bem-aventurança da mansidão nos propõe um questionamento: possuímos ou somos possuídos? A mansidão nos indica a quem pertencemos, ela é sinônimo de liberdade do espírito. Quem nos governa é Deus! Ser manso não é ser ingênuo, indiferente, raso, antes, é ser equilibrado.
A fome e a sede de justiça fazem de seus praticantes bem-aventurados, pois os levam a experimentar o doce prazer, a feliz saciedade causada pelo bem realizado em acordo com a vontade de Deus. Nada paga a consciência do dever cumprido.
Bem-aventurados os misericordiosos ocupa o centro da lista e nos leva a pensar: receberei o que oferecer.
A pureza de coração – talvez, a mais bela das bem-aventuranças – nos leva a pensar no quanto nos esforçamos para reconhecer a presença de Deus nas pessoas e nos acontecimentos. Um coração puro é resultado de uma vida de oração. “Em tudo eu vejo Deus”, dizia Dom Bosco.
Bem-aventurados os que promovem o shalom, a paz que vem de Deus. É uma bem-aventurança que nos condiciona à filiação divina, uma vez que quem promove o seu contrário – discórdia, divisão, guerra – não pode ser um filho, uma filha de Deus.
A busca da justiça, por um lado, sacia, por outro, trás perseguições. Enquanto bem-aventurança, a perseguição nos leva a pensar nas motivações que temos, nos valores em que acreditamos, nos princípios que nos constituem e no quanto estamos dispostos a dar a vida por eles.
Por fim, a recompensa de tudo o que é vivido e sofrido por causa do Senhor, ser-nos-á dada nos céus. É o que está reservado aos que trilharam este caminho de santidade. Coisas que os olhos ainda não viram, os ouvidos ainda não ouviram e o coração ainda não sentiu, como diz o Apóstolo Paulo.